QUERO UM SORRISO de presente,
Mas tem de ser verdadeiro,
Original, de boa procedência.
Não aceito falsificações;
Quero um sorriso de verdade,
Com a obrigação desobrigada de ser bom no sentido de ter bondade.
Tem de ser fabricado no coração
E vendido na face ao preço de doação.
A caixinha quando abrir deve fazer som de gargalhada ofegante,
Mas dependendo da intenção, aceito um sorriso elegante.
Um bom sorriso tem de ser um sorriso bão.
Por favor, me mandem um sorriso de presente;
Mas não pode ser sarcástico.
Quero sorriso bobo prá dizer que a gente tá feliz;
Para eu poder ver dona Alegria
E
Ver que Ela transforma tudo em magia.
Quero um sorriso de criança,
Um sorriso que traga esperança.
E, por que não?,
Um sorriso que me pegue pela mão e me tire prá uma dança.
Dança-Gargalhada dos sorrisos
Acabada em risos cansados,
Para só por um momento sem pragmatismo,
Eu possa ver na vida lirismo
E,
Esquecer que andam todos nesta vida apressados e estressados,
Como se os corações de todos estivessem parados.
O meu não parou não:
Um sorrisinho filhote me catou pela mão e fui às estrelas arremessado.
Que bão sorriso!
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
8:41 AM
24.5.05
Canto da Poetisa Embriagada
Ó querido!, cruel poeta que meu peito dilacera.
A realidade perfura-me o peito como uma adaga.
Não sabes que sou dama, fada, bruxa, viva!, bela e fera?
Já não sou a menina que era.
Já há algum tempo o sangue escorreu por minhas pernas,
Tornando-me mulher, acompanhada de suas sinas eternas.
Quando quero a lucidez perder,
Não preciso beber:
Poesia embriaga.
Poesia de: Francine Maria Reis
*Nota: Francine escreve este poema pensando Frank Leber. "A realidade", refere-se a realidade de Leber não a amá-la, ainda que a tenha seduzido.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:02 AM
16.5.05
No seu Prefácio a Caeiro, que permaneceu inédito até 1960, Ricardo Reis ( também Fernando Pessoa ) avisou: "Sua obra é a maior obra que alma portuguesa tem feito. Se estas palavras vos parecem estranhas, cuidai bem que falo do futuro..." E numa outra passagem: "Alberto Caeiro é, cremos, omaioe poeta do século XX [...]. Viveu e passou obscuro e desconhecido esse ( dizem os ocultistas ) o destino dos Mestres". Ainda como exemplo de um grande poeta, citaria seu discípulo engenheiro sensacionista Álvaro de Campos, do qual gosto muito, que escreveu por volta de 1929 ou 1930 Notas Para a Recordação do Meu Mestre Caeiro, páginas sublimes e mais que comoventes dedicadas ao seu jovem mestre: Pastor bucólico de espécie complicada.
Já me perguntaram uma vez se eu me inspirara em Pessoa; talvez não em Pessoa exatamente, mas na sua obra, principalmente a de seus heterônimos, como Campos e Caeiro, que foge a rigidez aristotélica clássica. Creio que meus versos - que no fundo não os considero bons - e de meus psicoheterônimos ( isto é coisa que inventei, e posso discorrer depois ) falam por si mesmos. De certa forma também tomo Caeiro por mestre. Um grande mestre de versos simples, mas com muito a dizer.
Francisco Maximiano da Silva
XLVIII
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe as que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Poema de: Alberto Caeiro ( Fernando Pessoa )
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:23 AM
13.5.05
A Menininha mais linda dos Universos Adoro esta bailarina doidinha.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
8:53 AM
12.5.05
CANTO DA MÃE DA LUA prá lua nenhuma num céu nublado pôs-me tristonho,
Abobado como quem quer prever-antever as guinadas do vento
Ou
Acorda da chuva gelada que lavou a alma em sonho.
Mas se havia vento
Era só brisa gelada que sopra devagarinho
Acompanhando o Canto Da Mãe Da Lua prá lua nenhuma.
O céu estava nublado como os humores que assim ficam de vez em quando.
E canto?, não havia nenhum em nehum canto,
A não ser em conto-doido de uma estória imaginada dentro de uma cabeça doida
E doída.
O Canto Da Mãe Da Lua que não acho em nenhum canto
Causa-me espanto.
Me acompanha por onde eu ando,
Então amando
( Não sei bem o que,
Talvez a vida ),
Como um bobo eu também canto.
Canto prá Lua nenhuma.
Poema de: Francisco Maximiano da Sila
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:38 AM
9.5.05
A PEDRA
O distraído nela tropeçou.
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já, David matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!
*Nota: Enviado por e-mail pela artista plástica campineira, Simone Genaro Thibes, minha amiga. Desconheço o autor.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:01 AM
2.5.05
PREÇA é uma palavra que faço o favor de errar.
Não tenho pressa nenhuma de acertar,
Porque o existir é existir, o amor é amar, o vento é soprar, e
O mar é eterno mar.
Pressa não, não tenho preça nenhuma.
Quero a vida devagar, bem desgustada....
Devagar como beijo demorado...,
Beeeeeeeeeeeeeeeeem longevo.
Já me cansam todos os resultados rápidos.
Já me cansa andar neste corre-corre com cara de vidro-asfalto-concreto-aço.
Não é o correr que me cansa,
É o corre-corre que chateia.
Quero viver como um beijo longo,
Ter paz para criar,
Ter tempo para amar.
Tanta preça, tanto estresse, nervosismo,
Movimentos febris,
Espasmos-Concretos-Edonistas
Simbolizando nossa época louca e rápida sem sentido nenhum,
Porque não há tempo para ter-se um sentido.
Preça?, faço o favor de errar.
Não tenho pressa nenhuma para corrigir.
Quero andar e ver as folhas no vento ir vir,
Sentir o vento geladinho de outono tocar meu rosto
E trazer-me poesia sem poética.
Quero ver o colorir das coisas;
Se é que há um colorir das coisas independente de quem ver.
Gostaria de descobrir.
Quero a vida como um beijo longo................................................
De língua,
Naquela boca à quem juramos nossa vida,
Entregamos nossa alma.
Me cansa e me entristece toda esta gente que vive correndo,
Vivendo adoidado em espasmos rápidos.
Me entristece aqueles para quem o horizonte da vida não vai muito em frente.
Me entristece toda as velocidade sem sentido e o distanciamento do Sagrado do Universo.
Me entristece...
O que me alegra é uma sorriso sincero que nasce no coração.
As crianças brincando numa terna tarde eterna.
O que me alegra é poder largar um pouco este mundo tão vão.
Se tem pressa porque não sabe-se onde se quer chegar.
Se tivessem um destino certo, talvez fosse a pressa pequena.
Eu?, naõ tenho preça nenhuma de corrigir a pressa.
Basta-me o estresse desse vida doida.
Não gosto de fast-foods, símbolo de nossa era.
Quero a vida.... Como Um Beijo Longo.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:19 AM